Olho e boca seca: como saber se são decorrentes do clima ou sintomas de uma síndrome autoimune?

Olho e boca seca: como saber se são decorrentes do clima ou sintomas de uma síndrome autoimune?

Nessa época do ano, é muito comum ficarmos com olhos e boca seca, não é verdade?

Nessa época do ano, é muito comum ficarmos com olhos e boca seca, não é verdade?

Então, como saber a diferença entre uma simples secura, decorrente do clima menos úmido do inverno, e uma doença séria, cujos principais sintomas são os mesmos? Quem explica é o médico reumatologista, Dr. Carmo de Freitas.
“Existe uma doença autoimune, chamada Síndrome Seca, que pode ou não se apresentar associada à uma outra doença autoimune, como a Artrite Reumatóide ou o Lúpus, cujos principais sintomas são olhos e boca seca. É uma doença que apresenta uma evolução lenta e contínua e ocorre devida a uma infiltração de algumas células nas glândulas exócrinas, aquelas que secretam fluidos para fora do corpo ou dentro de uma cavidade do nosso organismo”.

Cuidado com a automedicação!
Muitas vezes, o que ocorre é que o paciente não percebe que a doença pode representar um risco em potencial à sua saúde e se automedica com colírios e bochechos, e acaba não fazendo a avaliação adequada que a doença exige.
“É uma doença de difícil diagnóstico por apresentar uma evolução lenta e sua manifestação clínica ser gradual e discreta, podendo, inclusive, estar associada ao uso de algum medicamento, como antidepressivos ou anti-hipertensivos, ou mesmo à alguma infecção. Caberá ao médico fazer o diagnóstico diferencial. Quando as queixas estão associadas a alguma outra patologia autoimune, um reumatologista terá mais facilidade de associá-las à doença”, afirma Dr. Carmo de Freitas.
Com o agravamento da doença, poderá haver infecção de repetição nos olhos, retração de gengiva e danos às membranas mucosas que revestem várias partes do corpo, como nariz, tranqueia, vagina, pulmões, etc.
Infelizmente, não existe cura para essa doença. O tratamento é de suporte clínico e sintomático e procura-se reduzir o risco de alguma complicação, mantendo a qualidade de vida do paciente.
“A secura dos olhos pode ser tratada com colírios em gel, pomadas, sem conservantes (lágrima artificial), e que possui efeito mais prolongado. Existe também colírio anti-inflamatório que ajuda a controlar o processo inflamatório. Quanto ao tratamento da boca, existem gomas de mascar, pastilhas líquido-lubrificantes (saliva artificial), e pastas dentais que podem dar algum alívio aos sintomas”, pontua o médico.
Segundo ele, existe a possibilidade de tratamento sistêmico, com o uso de anti-inflamatórios hormonais e não hormonais, analgésicos que deverão ser escolhidos pelo médico, dependendo do padrão e características do paciente.
A deficiente de saliva pode ainda facilitar a proliferação de fungos e/ou bactérias, aumento de cáries, retração gengival e, por isso, os cuidados higiênicos também devem ser redobrados.

Mais sobre Dr. Carmo de Freitas
Com quase 50 anos de carreira, Carmo Gonzaga de Freitas foi o primeiro reumatologista da região do Triângulo Mineiro (MG) e co-fundador de um dos maiores complexos hospitalares de Uberlândia. Atualmente, representa o Estado e o Brasil em investigações clínicas e laboratoriais, encontros e congressos internacionais, com destaque para sua participação anual na EULAR – Liga Europeia de Reumatologia.

Michele Borges
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